Gladston Salles

O amor é o tudo no nada que somos

Textos

A IMPRENSA PERIÓDICA NO BRASIL ATÉ O SÉCULO XX

Minha modesta dissertação é dividida em cinco tópicos: o primeiro, abrange o início da produção da imprensa periódica no Brasil ; o segundo, tem como foco a imprensa periódica no regime imperial; o terceiro, versa sobre a imprensa periódica no regime republicano; o quarto, engloba a imprensa periódica no século XX; e o quinto, apresenta breves considerações finais.

1 - Início da produção da imprensa periódica no Brasil
AVISOS
"Finalizando em 10 de Março do corrente anno a assignatura da Gazeta feita pelos primeiros seis mezes :
Faz-se saber ao Público que a seguinte continuará desde o mez de Março até o fim do anno , para se poder depois seguir regularmente para o futuro, os dous semestres como de costume. As Pessoas que quiserem assignar , dirigir-se-hão á Loja da Gazeta, onde farão saber os seus nomes, e moradas, e darão logo 9$000, preço muito modico; por isso que deverão ter nesta nova assignatura todas as Gazetas assim Ordinarias com Extraordinarias ,eo.
As pessoas que quiserem fazer Annuncios na Gazeta dirigir-se-hão d ´aqui em diante á Loja da Gazeta, onde se lhes tomará a devida nota, como se praticava na Impressão Regia.
Terça feira próxima haverá Gazeta Extraordinaria".
( trecho extraído do jornal Gazeta do Rio de Janeiro - sábado 28 de janeiro de 1809 - Fonte: Acervo Digital da Biblioteca Nacional)
De acordo com a historiografia da imprensa periódica, "A Gazeta do Rio de Janeiro" foi o primeiro jornal impresso no Brasil, nas máquinas da impressão Régia, no Rio de Janeiro, e o início de sua circulação é datado de 1808. Outros jornais também surgiram na época do reinado de D.João VI, como por exemplo "Idade de Ouro do Brasil" e o "Patriota". Não resta dúvida de que os referidos jornais estiveram sob controle governamental, mas, eu ouso em dizer que concordo com a tese de estudiosos que encontram neles valor histórico significativo. Basta considerarmos que serviram de campo de disputas e mudanças nas áreas cortesã e da Coroa, comercial, científica e literária. Nas tipografias havia prática de comercio de impressos e outras mercadorias. Além disso, era local de encontro de redatores e leitores, bem como ponto de discussão política, e de rodas de amizade. E por estranho que pareça, também muitas vezes servia de residência do impressor. Acredito que tais fatos, e as interações, provocava alterações no cotidiano.

2 - Imprensa periódica no regime imperial
"Todos podem comunicar os seus pensamentos por palavras, escritos, e publicá-los pela imprensa sem dependência de censura, contanto que haja de responder pelos abusos que cometerem no exercício desse direito, nos casos e pela forma que a lei determinar"
(Constituição de 25 de março de 1824, Art.179,nº4 - Primeira Constituição Brasileira, outorgada por D. Pedro I)
O período em que D. Pedro I governou o Brasil como imperador (1822/1831), denominado de transição, foi marcado por uma grande crise econômico-financeira, social e política. É sabido que a independência do Brasil somente consolidou-se a partir da abdicação de D. Pedro I. O segundo e último monarca do Império, D. Pedro II, governou o país durante 58 anos, e transformou o Brasil numa potência emergente no cenário internacional. Nesse Segundo Reinado a imprensa periódica teve papel preponderante. Razão porque desperta maior interesse no campo da pesquisa historiográfica. Merece registro a criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro fundado em 1838, que aglutinou aristocratas, latifundiários e intelectuais na busca do sentimento de nacionalidade. A citada instituição ao difundir as pesquisas de natureza histórico-geográfica muito contribuiu para a disseminação da cultura, e resgate das belezas naturais e valores nacionais. No ano de 1850, duas leis importantes acarretaram mudanças na vida da população: Lei de Terras em 1850 que mudou o conceito de propriedade ao permitir a compra, venda e aluguel de terras; e a Lei Eusébio de Queiroz que acabou com o tráfico negreiro. Entretanto, os opositores do regime monárquico que lutavam pela mudança do "status quo" e tinham como ideal a modernização do país, intensificaram suas manifestações utilizando em larga escala a imprensa, seja com artigos, reportagens ou mesmo charges, através de jornais e semanários clandestinos. O recurso da charge facilitava o entendimento por parte dos analfabetos que era maioria na população brasileira. Por outro lado, com o "indianismo" a ideia de nacionalidade também passou a germinar nas entrelinhas dos romances de José de Alencar. Dados históricos indica que o maior contingente de habitantes vivia na zona rural, inclusive um expressivo número de escravos e seus descendentes sem qualquer direito político. Vale destacar que o processo de abolição da escravidão durou aproximadamente 40 anos. E a escravidão foi o tema de maior relevância social propagado pela imprensa. Segundo pesquisas historiográficas, no período de 1870 a 1872, inúmeros jornais surgiram no país, entre os quais "Argos" no Amazonas, 'Voluntário da Pátria" na Paraíba, "O Horizonte" na Bahia, "O Correio Paulistano", "O Farol" em Minas, "Democracia" no Rio Grande do Sul e outros. Acredito que os "jornais" que circulavam nas academias literárias em São Paulo, como por exemplo, "Quinze de Outubro" (1868) , "O Tribuno" e "A Coruja" (1873) também tiveram papel significativo. Por fim, a libertação dos escravos através da Lei Áurea em 1888 descortinou um novo horizonte político no país.

3 - Imprensa periódica no regime republicano
A Revolução Francesa (1789) foi o marco inicial do ideal republicano. Com o fim da escravidão no Brasil, o ideal republicano se fortaleceu; e inspirado na experiência social europeia, tendo como pioneiro os Estados Unidos (século XVIII), acabou dando origem a um golpe militar com a expulsão de D. Pedro II e família, sendo proclamada a República. Convém salientar que não houve nenhuma interferência da população nesse episódio. Inclusive o povo não saiu à rua para comemorar, dando demonstração de apatia. O escritor Lima Barreto foi enfático: "Brasil não tem povo, tem público". O periódico humorístico "O Malho" publicou interessante charge a respeito. Aliás, essa linguagem de humor era comum na imprensa periódica, e os jornais muitas vezes lidos em voz alta nas praças, nos bondes e nas repartições públicas fazia sucesso. Com reconhecida popularidade, trazia em suas páginas anúncios. Um dos fatos muito abordado pela imprensa na época da república recém-implantada , fazia alusão aos ex-escravos que ficava perambulando pelas ruas sem destino, e desamparados, clamando por inclusão social; o que ficou conhecido na área econômica como "Dívida Flutuante".

4 - Imprensa periódica no século XX
É fato notório que no começo do século XX a cidade de São Paulo se tornou o centro urbano mais moderno do país. As inovações tecnológicas tiveram um avanço extraordinário. A eletricidade provocou mudanças significativas ( bondes elétricos no ano de 1900). E, por via de consequência, a imprensa periódica progrediu. Vale destacar que a maioria dos imigrantes europeus não eram agricultores, e não conseguiam se adaptar ao trabalho rural com herança escravagista. Pelo contrário, no país de origem exerciam profissões típicas de área urbana. E aqueles que já trabalhavam como tipógrafos, auxiliares de jornal, encadernadores, e fabricantes de papel, trouxeram técnicas que deram impulso ao desenvolvimento do periodismo no Brasil. Os referidos imigrantes não eram analfabetos, e procedentes de uma sociedade com efervescência política, começaram a fazer discursos de natureza sindical. Vários jornais ditos anarquistas surgiram, entre os quais "A Terra Livre", "A Lanterna", e "A Plebe" com incitações à greve, etc. Os dirigentes tinham como objetivo a criação do proletariado. A partir daí, a imprensa periódica no Brasil ganhou força com mecanismo moderno semelhante ao europeu, e se expandiu em todo território nacional.

5 - Considerações finais
As considerações serão breves, mesmo porque não faz parte do tema proposto, tecer comentários sobre a imprensa periódica no Brasil no século XXI. Todavia, a imprensa no momento está tão conturbada no país, que tomo a liberdade para acrescentar algo.
Imprensa - designação coletiva dos veículos de comunicação que exercem o Jornalismo e outras funções de comunicação informativa - em contraste com a comunicação puramente propagandística ou de entretenimento.
O termo imprensa deriva da prensa móvel, processo gráfico aperfeiçoado por Johannes Gutenberg no século XV.
(Wikipédia, a enciclopédia livre)
A partir de meados do século XX os jornais também passaram a ser difundidos através do radiojornal e telejornal. Com o advento da World Wid Web surgiram os jornais online.
É oportuno mencionar que o século XXI emergiu numa sociedade alicerçada na informação. O jogo do poder atualmente ocorre na mídia. Portanto, a pauta jornalística deve se fundamentar no equilíbrio, sob pena de provocar convulsões sociais. Creio que no mundo atual, marcado pela globalização, e o acesso imediato a uma gama de informações que se sobrepõe umas às outras, cabe ao cidadão ter a devida atenção e cuidado para não tirar conclusões precipitadas. A imprensa tradicional perdeu o seu espaço. O homem moderno vive "antenado", vale dizer, "ligado" ao mundo virtual. Nessa nova "engrenagem" qualquer pessoa comum, sem vínculo jornalístico, cria notícias a seu bel-prazer, basta utilizar um celular. Diante desse cenário, uma pergunta não quer calar: como distinguir o falso do verdadeiro na "avalanche" de informações conflitantes que recebemos no dia a dia?

Dissertação apresentada durante o Curso de Pós Graduação de História e Cultura no Brasil - 2020 -  Universidade Estácio - RJ
Fontes Consultadas:
Constituição Brasileira de 1824.
Wikipédia, a enciclopédia livre.
Rede Memória - rede de memória virtual brasileira
Imprensa periódica o Século XIX
(Marco Morel - professor da UERJ e pesquisador do CNPq)
educacao.uol.com.br
"Qual o papel da imprensa numa sociedade democrática"?
(Eduardo Guimarães, artigo no Observatório da Imprensa, 17/05/2005
Gladston Salles
Enviado por Gladston Salles em 05/08/2020
Alterado em 20/08/2020


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