Gladston Salles

O amor é o tudo no nada que somos

Textos

Ao avistar ao longe aquele azul singelo fiquei em dúvida... Seria da Igreja Matriz ou do céu? O fato é que o meu olhar cansado e aflito encontrou naquele momento refúgio e consolo. Assim que me aproximei do centro da Cidade de Teófilo Otoni e entrei na referida igreja secular a paz tomou conta do meu coração. Então com o meu ânimo renovado iniciei um breve “tour” na Capital Mundial das Pedras Preciosas. Encontrei ao redor da Praça Tiradentes, nas copas das árvores centenárias, algumas preguiças vagarosas como sempre e alvo de atenção de todos. Tal fato lembrou-me da corrida desenfreada que realizamos em busca da felicidade, principalmente nos grandes centros urbanos. Após uma rápida reflexão, indaguei a mim mesmo: Será que vale a pena essa pressa desmedida no dia-a-dia? Ou será que a felicidade está dentro de nós mesmos, conforme afirmam grandes pensadores do Oriente? Bem, após esse instante reflexivo fiquei surpreso ao encontrar um coreto semelhante àquele tão marcante nas recordações de minha infância. Estive na Praça Germânica (local onde foi erguido o monumento ao colono alemão) e no comercio informal de pedras preciosas que tem fama internacional. Em seguida fui conhecer o que considero o ponto alto da minha rápida permanência na cidade: A locomotiva “Poxixá” (a primeira “Maria Fumaça” da ferrovia Bahia – Minas a trafegar na região de Teófilo Otoni). Exposta à curiosidade pública a máquina é símbolo do progresso idealizado pelo estadista mineiro Teófilo Otoni fundador da cidade. Nessa atmosfera histórico-cultural dei asas à imaginação e viajei no tempo que me transportou para o passado longínquo do século XIX. Então embarquei na “Poxixá” que se encontrava na Estação de Teófilo Otoni pronta para trafegar pela primeira vez rumo ao mar do sul da Bahia. A comunidade festejava com entusiasmo a inauguração da estação naquele ano de 1898. Quando a barulhenta locomotiva começou a se movimentar e expeliu fumaça, um misto de espanto e curiosidade tomou conta de todos. As crianças com medo ameaçaram se esconder. Mas, logo depois, ao ouvir o apito da “Maria Fumaça” elas ficaram sorridentes... De súbito houve mudança de cenário. O tempo retrocedeu ainda mais, desta vez para o ano de 1853. Ocasião em que vi o estadista e desbravador Otoni comandar um grupo de indivíduos nacionais e estrangeiros e enfrentar animais, índios e doenças na mata virgem de Mucuri com o objetivo de colonizar a região do nordeste mineiro. Confesso que fiquei emocionado ao vê-lo triunfante exclamar: “Aqui farei a minha Filadélfia”. De repente num “piscar de olhos” o devaneio acabou e voltei à realidade. Fui comer carne de sol com mandioca e tomar aquela cachaça típica mineira. Logo veio a noite e fiquei encantado com o cenário romântico da Fonte Luminosa musical. Ao pegar a estrada de regresso para o meu lar ouvi um grito ecoar na região montanhosa: Pogirum! Pogirum! Pogirum!

Nota: Pogirum (capitão de mãos brancas). Assim Teófilo Otoni era chamado pelos índios.



 
Gladston Salles
Enviado por Gladston Salles em 09/11/2017
Alterado em 10/11/2017
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