Gladston Salles

O amor é o tudo no nada que somos

Textos

LEMBRANÇAS MORTAS
No interior do velho casarão sombrio
Nenhum sinal de vida
Apenas lembranças mortas
O mofo toma conta de tudo
O cupim devora o móvel de pinho

O relógio cuco na  parede, emudecido,
Enguiçado e sem graça
Mostra que tudo parou
Todos os sonhos foram engolidos...
Na gaveta da escrivaninha
Fragmentos de um poema inacabado
Papéis corroídos pela traça

Os objetos em desuso
Cobertos por uma grossa camada de poeira
É o retrato do abandono
Tudo parece destituído de sentido
O calendário antigo
O silêncio absurdo

Em todos os cômodos
A marca de tempos idos
Escuridão e frio
Perguntas no ar sem resposta
Rastro de passos perdidos

Na varanda, agora refúgio de gatos arredios,
As teias de aranha oscilam ao sopro do vento...
No quintal onde o mato cresce sem entraves
As árvores centenárias desfolhadas
Recebem os pássaros vadios



Gladston Salles
Enviado por Gladston Salles em 24/12/2016
Alterado em 28/07/2017
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