Gladston Salles

O amor é o tudo no nada que somos

Textos

                                          Lá vai o trem...levando o meu coração

                                                 
                                             Inspirado na poesia "Lá vai o trem" de autoria do poeta Télio.


Era uma tarde cinzenta de inverno, quando o trem partiu... A chuva miúda persistia, e eu fiquei ali parado sem palavras. O velho trem e a velha estação, testemunhas de acontecimentos marcantes de inúmeras vidas, mais uma vez faziam parte de um cenário de tristeza e abandono. Até então, eu não sabia que a saudade doía tanto. Bastou ela dizer adeus para que  aquela sensação de que o mundo iria desabar tomasse conta de mim. Tudo conspirava contra os meus anseios. Bem que tentei persuadi-la de ficar. Mas ela estava decidida a seguir adiante e me deixar desta vez para sempre. Brigas tolas acontecem entre os amantes. Só que agora era prá valer. As tentativas de reconciliação não surtiram efeito. E, eu custei a acreditar. Aliás, tudo parecia um pesadelo. Quando encontrei o maldito bilhete de despedida sobre a mesa, corrí desesperado até a estação acreditanto que a traria de volta. Porque isso está acontecendo comigo, pensei. Será que mereço? Porque ela está sendo tão radical? Será que o amor acabou? Ou na verdade nunca existiu? Não é possível. Mil vezes não!
Ofegante, logo assim que a vi caminhando em direção ao trem, fiz uma respiração profunda buscando o auto controle. Na verdade o meu coração disparava e os meus nervos estavam "à flor da pele". Quando a chamei, ela tentou se esquivar. Rapidamente a segurei pelo braço e implorei alguns minutos de atenção. E foi naquele instante que deixei de lado todo o meu  orgulho e supliquei que ela não partisse. Acho que usei todo o vocabulário sobre o tema amor. Relembrei os momentos especiais que vivemos. As juras de amor. O primeiro encontro. As brincadeiras. Os sussurros e toques de carinho. Os beijos e abraços incontroláveis. O desejo de amar que tomava conta de nós e nos envolvia com vigor extraordinário. Pedí perdão por possíveis erros, e até mesmo pelos erros improváveis. Mas, ela permaneceu irredutível e se afastou. Foi então que chorei. Lágrimas amargas se juntaram às águas da chuva. Atônito não sabia o que fazer. Ela entrou no vagão e logo em seguida o trem deu sinal de partida. Lentamente a mulher que eu tanto amava foi se afastando de mim. Parecia que eu estava morrendo aos poucos. De repente desmoronou o meu castelo de sonhos. Dentro de mim ficou um vazio imenso e indescritível. O sentimento de perda era cruel e me machucava demais. Antes do trem entrar na curva, tentei vê-la acenando para mim. Mas, que nada. Nem isso ela fez. Me sentí desprezado. E não conseguí encontrar uma justificativa plausível. Será que ela conheceu alguém que a conquistou? Será que ela passou a amar outra pessoa em segredo? Perguntas sem respostas seguindo a linha do trem e se perdento na linha do horizonte. E, eu desolado e desiludido fiquei parado na estação  e quase sem forças para viver a vida. Lá vai o trem...levando  o meu coração.

 
Gladston Salles
Enviado por Gladston Salles em 14/07/2013
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