Gladston Salles

O amor é o tudo no nada que somos

Textos


                             

 AURELINO E A VOLTA DAS BORBOLETAS AZUIS...
 

 
Para Aurelino as borboletas azuis sempre representaram indícios de boa sorte e felicidade. Por isso quando avistou as borboletas azuis na janela do quarto, logo achou que haveria de encontrar a felicidade plena. Bastaria ter um pouco de paciência. Talvez esperar alguns dias ou no máximo três meses e a solidão deixaria de existir. Pôs na “mesinha de cabeceira” um calendário colorido e vistoso. Renovou o entusiasmo de viver. Passou a acreditar novamente no ditado que diz “nunca é tarde para ser feliz”. O tempo passava e Aurelino permanecia com a esperança inabalável. O sorriso dele passou a ser a sua marca registrada. Todo mundo percebeu que havia algo diferente no seu olhar. A tristeza havia desaparecido. Ele transmitia muita alegria e otimismo. Estava em paz consigo mesmo e com o mundo ao seu redor. Ele encontrava beleza nas coisas mais simples. E passou a sonhar como nunca havia sonhado antes.Até mesmo teve vontade de escrever poesia. Limpou o jardim que estava descuidado. Plantou boas sementes. Retirou as ervas daninha. Renovou o guarda-roupa. Comprou uma rede nova e pintou a varanda, local de refúgio para os seus devaneios. Ele mudou de modo substancial. Passou a trabalhar com mais dedicação e acreditar no amanhã. Procurou ajudar os semelhantes com mais entusiasmo. Deixou o isolamento. Saiu da “toca” e abriu o coração. Não queria permanecer à margem da vida... Voltou a ser um participante ativo na sociedade e inserido na luta pelo bem comum. Muita coisa mudou depois que as borboletas azuis voltaram... Aurelino deixou de ser um homem amargurado e de mal com a vida. Dava gosto de ver aquele homem com aspecto renovado. Parecia até que havia renascido. No fundo do coração havia uma fé cega de que a mulher ideal logo surgiria. As borboletas azuis eram as mensageiras de sorte no amor. O sinal de que a felicidade plena não tardaria a chegar. Por conta disso, Aurelino não economizava entusiasmo e estava sempre bem humorado e recebia a todos com cortesia e atenção. Enfrentava “engarrafamento” sem reclamar. Cumprimentava a todos sem distinção desde o mais simples servente ao diretor executivo da empresa. Não negava esmola a ninguém. Perdoava a quem lhe ofendia. Dava bons conselhos. Confortava os aflitos. Procurava ser amigo de todo mundo. E sempre que podia ressaltava que a vida é bela...E assim Aurelino foi vivendo completamente revigorado depois daquele bendito surgimento das borboletas azuis na janela do quarto onde antes só existia tristeza, desencanto, lamentos, lágrimas amargas e solidão. As borboletas azuis causaram uma profunda transformação no Aurelino que estava solitário e desiludido de tantos desenganos. Na verdade quase desistindo da vida... Foi quando então voltou a sorrir e sonhar. Contemplar o arco-íris e olhar as estrelas. E o que é fundamental: voltou a cultivar a esperança... Sim, porque a esperança nos impele a seguir adiante, a acreditar no amanhã e reforça nossa fé e crença de que tudo irá mudar pra melhor. Para o Aurelino as borboletas azuis tinham o encantamento próprio de um talismã. E por isso ele achou que estava diante de um bom sinal capaz de mudar radicalmente a sua vida. E se apegou a isso com todas as forças. E deixou de lado a amargura e o desânimo. Melhorou a convivência com os demais. Reformulou suas atitudes. Deixou de lado “o baixo astral”. Conquistou simpatia e ganhou respeito e admiração de todos. De fato Aurelino transformou-se num novo homem digno e merecedor da tão desejada felicidade. Decorridos 90 dias desde o bendito aparecimento das borboletas azuis na janela do quarto de Aurelino, este continuava só e sem a sua sonhada musa. Mas, diga-se de passagem, sem perder a esperança e acreditando com convicção naquele sinal de boa sorte no amor. Quando chegou o entardecer Aurelino que adorava o mar resolveu ir à praia e apreciar o luar sobre as ondas. Acomodou-se nas rochas para ter uma visão privilegiada. As águas estavam mansas e o céu repleto de estrelas. O cenário era de rara beleza. Ele que havia previsto que a felicidade desta vez chegaria de qualquer maneira, não poderia esmorecer e decidiu permanecer ali e aguardar. Não lhe restava alternativa. Agora era tudo ou nada. O prazo estava quase no fim, mas e daí? Ele ainda acreditava no bom presságio das borboletas azuis. De repente ouviu uma voz suave:
- Podemos conversar?
Aurelino olhou pra trás e viu uma mulher de rara beleza e sensualidade a toda prova. Na verdade nunca tinha visto nada igual. Ela tinha os cabelos longos enfeitado com fios de prata. O olhar era de gueixa e o rosto de princesa. O sorriso era de criança e o corpo de sereia sem escamas.Emocionado Aurelino indagou meio sem jeito:
- De onde você veio?
- Estava vagando por aí e notei que você estava solitário. Na verdade uma força estranha me trouxe até aqui...
- Será você a musa dos meus sonhos?

- Quem sabe... Gostaria muito de fazê-lo feliz.
- Mas porque você demorou tanto?
- Ah! Muita coisa acontece de modo inexplicável.
- Como posso acreditar em você?
- Confie em mim. Feche os olhos e deixe-me beijá-lo.
Aurelino não pensou duas vezes. E deixou-se levar por aquela mulher irresistível...
Ao ser beijado sentiu-se nas nuvens. Desligado da terra e em outra dimensão. De fato ao abrir os olhos constatou que foi “transportado” para um local estranho e repleto de flores e perfume inebriante.
- Que lugar é esse? Será o paraíso?
- Você está no “planeta azul”. Aqui a paz e fraternidade reinam de forma absoluta.
- Não existe violência? E drogas?
- Não. Nenhum tipo de mazela social.
Aurelino mais que depressa mandou fazer uma linda tatuagem de borboleta azul no peito e resolveu ficar por lá...
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
                    
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
                       
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
Gladston Salles
Enviado por Gladston Salles em 28/05/2010
Alterado em 09/09/2017
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